Chegou a hora de colocar um híbrido plug-in em nosso teste de 360 km. O escolhido foi o BYD King GS, um sedã que promete números ambiciosos, com mais de 1.100 km de autonomia combinada segundo a fabricante. Mas como essa promessa se traduz na vida real? Ao longo de um trajeto misto que inclui serra, centros urbano com diversas lombadas e longos trechos em velocidade constante, onde vamos avaliar não apenas o consumo, mas também o comportamento.
O BYD King GS é equipado com um conjunto híbrido plug-in, que combina um motor a combustão 1.5 aspirado, com 110 cv de potência e 13,8 kgfm de torque, a um motor elétrico de 197 cv e 33,1 kgfm de torque. A potência combinada do sistema é de 235 cv e utiliza a tecnologia Dual Mode Intelligent (DM-i), desenvolvida com foco na eficiência energética, que prioriza a propulsão elétrica, permitindo que o veículo opere, na maior parte do tempo, como um carro elétrico, enquanto o motor a combustão é acionado em situações de maior demanda ou atua como gerador de energia.
O conjunto elétrico é composto por uma bateria Blade, no formato de lâminas, reconhecida por seu alto nível de segurança. Essa bateria utiliza a tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP) e possui capacidade de 18,3 kWh, garantindo maior durabilidade e eficiência no uso diário. Declarado, tem uma autonomia elétrica de 80 km. O sistema de carregamento suporta até 6,6 kW em corrente alternada (AC), com conector do tipo 2. Desenvolvido com foco no uso doméstico, o tempo de recarga completa varia entre 2 e 3 horas.
Para o teste, deixamos ativado o modo HEV, no qual o King opera alternando entre o modo elétrico e o motor a combustão, de acordo com o estilo de condução do veículo. Quanto ao modo de condução, selecionamos o modo ECO, com a frenagem regenerativa ajustada para o padrão. A bateria foi configurada em 25% (modo save), que é o nível mínimo de carga. Nessa condição, o sistema prioriza o uso do motor elétrico e, ao atingir os 25%, o motor a combustão passa a entrar em funcionamento com maior frequência para recarregar a bateria.
Essas condições foram escolhidas com o objetivo de garantir o melhor cenário para o teste, partindo do princípio de que, quanto menor a carga do acelerador e usando o relevo a favor, permite que o veículo flua naturalmente e certamente iremos ganhar economia de combustível. A manutenção de velocidades constantes, assim como o aproveitamento da regeneração de energia durante frenagens, paradas e trechos de descida da serra, também contribuem diretamente para a eficiência do conjunto e para o nosso teste.
Para dar início ao teste, calibramos os pneus conforme o manual do proprietário e abastecemos o veículo com gasolina comum, utilizando o bico no modo automático até o segundo desarme. Na parte elétrica, deixamos o veículo carregando até que a bateria chegar nos 100%. Vale ressaltar que todas essas condições de abastecimento e carregamento serão repetidas após a conclusão do teste, a fim de garantir a precisão dos resultados.
Com o hodômetro zerado e as informações do painel do King registradas, que indicava uma autonomia de 115 km no modo elétrico e 1.122 km no modo combustão, iniciamos o teste. Nos primeiros quilômetros de estrada, já foi possível observar que o King operava praticamente em modo elétrico, mantendo uma velocidade de 100 km/h. O motor a combustão só entrou em funcionamento em situações de maior demanda no acelerador, como em subidas ou nas saídas de pedágios.
Nos primeiros 100 km percorridos, o painel marcava um alcance ainda de 14 km ainda para rodarmos na elétrico, e de 1.117 km no combustão. Ou seja rodou praticamente no elétrico e o pouco que gastou de combustível foi nas três vezes que o motor entrou em funcionamento. Essa primeira parte do percurso é a condição onde temos a menor oscilação de velocidade e relevo.
Já no trecho urbano, que interliga as estradas, o King conseguiu percorrer os 115 km de autonomia inicial e ainda contava com 1 km de alcance restante. No entanto, o motor a combustão começou a ligar com maior frequência por dois motivos: primeiro, com a bateria baixa, o motor a combustão entra em funcionamento para atuar como gerador e recarregar a bateria; segundo, quando é necessário um esforço maior, como em subidas.
Com a eficiência da regeneração dos freios e do motor a combustão atuando como gerador, o pouco que se conseguia regenerar, cerca de 1 km, já fazia o motor a combustão desligar, permitindo que voltássemos a rodar em modo 100% elétrico. Essa oscilação entre ligar e desligar o motor a combustão durante o trajeto ocorria de forma silenciosa, sem qualquer incômodo.
Após o trajeto pela serra, com subidas e descidas, chegamos a 180 km, que correspondem à metade do percurso, com uma autonomia de 1.073 km e um alcance de 6 km no modo elétrico. No computador de bordo, indicava-se que havíamos utilizado apenas 4 litros de combustível, lembrando que os primeiros 115 km foram percorridos praticamente em modo elétrico, demonstrando o quanto esse modo contribui para reduzir o consumo de combustível.
Para o trajeto de volta, por estar com a bateria com pouca autonomia, sabemos que o motor a combustão iria atuar com maior frequência, mas como a volta temos mais descidas, a regeneração está a nosso favor. Utilizando da mesma forma de condução e sempre usando o relevo a nosso favor, completamos o teste de 360 km com o BYD King GS, onde no painel mostrava 363,7 km percorridos, com bateria com 0 km de alcance e ainda 889 km no modo a combustão, mostrando que de painel foram gastos apenas 12 litros para realizar o teste.
Primeiros 100 km rodados (rodovia com média de 100 km/h)
- Gasolina consumida: 0,3 litros
- Autonomia elétrico: 14 km
- Autonomia combustão: 1117 km
Metade do percurso (180 km)
- Gasolina consumida: 4 litros
- Autonomia elétrico: 6 km
- Autonomia combustão: 1073 km
Percurso completo (360km)
- Gasolina consumida: 12 litros
- Autonomia elétrico: 0 km
- Autonomia combustão: 889 km
Para confirmar os números, reabastecemos o BYD King GS para ver quanto entra pela bomba - considerando o segundo clique do automático. Após o reabastecimento, deixamos carregando no wallbox em potência de 6,5 kWh com o custo de R$ 2,00 por kW/h, demorando 2 horas e 19 minutos para chegar aos 100%. Veja abaixo os números e os dados completos, incluso as despesas com pedágios, combustível e carregamento para rodar os 360 km.
| BYD King GS PHEV | |
| Pneus | Giti Giticomfort F22 AdvanZ tech - 215/55 R17 |
| Hodômetro inicial | 2.444 km |
| Hodômetro final | 2.808 km |
| KM percorrida | 364 km |
| Autonomia (painel) | Combustão: 1.122 km; elétrico: 115 km |
| Autonomia (painel, final) | Combustão: 889 km; elétrico: 0 km |
| Média painel | 30,3 km/litro |
| Combustível e energia consumidos | 14,19 litros; 16,6 kW/h |
| Média bomba | 25,7 km/litro |
| Valor de combustíve/recarga | Gas.: R$79,04 | Elét.: R$33,19 | Total: R$112,23 |
| Pedágios | R$ 87,50 |
Abaixo, calculamos os valores com base no preço médio da gasolina para o estado de São Paulo e Brasil segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo) referente ao período de 11/01/26 a 17/01/26. Para o valor final, calculamos o valor nacional.
*Para o valor médio do carregamento em AC, utilizamos a média de R$1,75 kWh.
| São Paulo | Brasil | |
| Valor por km rodado (gasolina + energia) | R$ 0,32 | R$ 0,33 |
| Valor para 1.000 km | R$ 320,00 | R$ 330,00 |
| Autonomia com tanque de 48 litros | 1.234 km | |
| Valor médio da gasolina comum | R$ 6,16 | R$ 6,32 |
| Despesa real para 360 km | R$ 116,46 | R$ 118,73 |
| Quantos km roda com R$ 100? | 312 km | 303 km |
O BYD King GS mostrou-se eficiente no teste de 360 km. Em modo HEV, priorizou o uso do motor elétrico. O sistema de regeneração também se mostrou eficaz. O desempenho no modo elétrico foi o fator decisivo para a economia de combustível, permitindo gastar apenas 14,2 litros. Essa eficiência indica que o King GS é capaz de percorrer mais de 1.000 km sem reabastecimento.
Quando se trata de recarga e custos, para quem possui um veículo plug-in é viável recarregar e utilizar o modo elétrico no dia a dia. No caso do King GS, que utiliza carregamento lento em AC, se houvesse um carregador wallbox em casa por exemplo, o custo total do teste de 360 km certamente seria menor, já que, durante o teste, utilizamos recargas pagas como em eletropostos, shoppings e edifícios comerciais.
| Modelo | Sistema | Consumo médio total | |
| 1 | BYD King GS | PHEV | 25,7 km/litro (gasolina) |
| 2 | GAC GS4 Elite | HEV | 16,7 km/litro (gasolina) |
| 3 | Peugeot 2008 GT Hybrid | MHEV | 14,1 km/litro (gasolina) |